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Existem vários tipos de manifestação
da raiva. Algumas vezes ela surge explosivamente como uma reação
rápida e aguda à alguma frustração imediata,
outras vezes a raiva vai nutrindo lenta e surdamente sentimentos de
vingança, tal como uma reação crônica à
injustiça e indignação experimentados pela pessoa.
Trata-se de um dos sentimentos mais aversivos ao organismo humano, um
dos sentimentos que mais predispõe ao estresse. Adib Jatene disse
certa vez que não é o trabalho que mata, é a raiva.
E provavelmente ele está certo. Outra peculiaridade da raiva
é que ela parece ser, entre todos estados de espírito,
aquele que as pessoas têm mais dificuldade para controlar.
A raiva seduz o ser humano porque, ao contrário da tristeza que
nos exauri, ela energiza e exalta. Em nosso exemplo do cavalo-cavaleiro,
a raiva (cavaleiro) exige do cavalo (razão) todo tipo de insensatez
para atender-lhe os anseios. As pessoas elaboram os mais convincentes
argumentos racionais para justificar e alimentar a raiva.
O grande desencadeador da raiva é a sensação de
estar ameaçado ou em perigo e, em se tratando de ser humano,
nem sempre a ameaça e perigo são situações
concretas e contra sua vida. Em grande número de vezes são
ameaças emocionais, são ameaças à soberania
pessoal, à dignidade, ao orgulho ferido, às pretensões
frustradas, aos desejos contrariados, enfim, são ameaças
ao bem estar emocional.
Na explosão aguda de raiva, melhor definida como cólera
ou ira, há grande liberação de catecolaminas cerebrais,
as quais geram um rápido estado de alarme orgânico, um
surto de energia física e emocional durante alguns minutos, quando
então o organismo todo se prepara para a luta, seja em termos
de enfrentamento ou de fuga, dependendo das circunstâncias. Esse
primeiro modelo seria quase uma atitude reflexa em reação
à ameaça.
Num segundo momento, os estímulos aversivos seriam impulsionados
pela amígdala cerebral, percorrem o trajeto hipotálamo-adrenocortical
e criaria um estado geral de prontidão para a ação,
o qual é mais durável (horas ou mesmo dias) fazendo com
que o cérebro fique em estado de alerta para que eventuais reações
posteriores sejam rápidas.
Nesta fase, quando então o organismo já se encontra em
estado de alerta devido a algum estímulo estressor, crises agudas
e explosivas de raiva podem ser mais facilmente disparados. Na teoria
da Inteligência Emocional essas crises são chamadas de
Seqüestro Emocional, como se nosso organismo fosse gerenciado exclusivamente
pelas emoções, subestimando-se quase totalmente a razão.
Nessa fase as pessoas agem além do alcance da razão e
seus pensamentos giram em torno da ação determinada pela
raiva, indiferente às conseqüências.
Até certo nível, a raiva pode ser controlada ou até
ter seu curso interrompido se um outro estímulo conseguir polarizar
a atividade mental. Este outro estímulo pode ser sob a forma
de algum pensamento mais interessante, pode ser a distração,
mudar de ambiente, afastar-se da situação (ou pessoa)
que esteja estimulando a raiva. Mas isso só funciona em níveis
controlados de raiva.
Nos casos onde a pessoa é portadora de algum Transtorno no Controle
dos Impulsos os medicamentos e a terapia podem ser de extrema ajuda.
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BALLONE, G J - Estresse, in. PsqWeb, programa de Psiquiatria Clínica
na Internet,
http://meusite.osit.com.br/ballone/,
Campinas, SP, 1999.
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